Alopecia X

(Black Skin Disease)

 

Afinal o que é, qual a evolução, causas e o tratamento desta endocrinopatia que afeta primariamente a raça Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia), mas também outras raças nórdicas - Samoieda, Chow Chow, Husky Siberiano, Malamute do Alasca - e Poodles

 

Importei o cão a direita dos EUA, já Campeão Americano. Em campanha bem sucedida no Brasil, e uma ninhada nascida, a pelagem do corpo começou a cair, até que todo o tronco ficou absolutamente alopécico, pele hiperpigmentada e atrófica, mantendo a pelagem apenas nas patas e cabeça. O ano era 1997 e foi o meu primeiro contato com a Alopecia X - na época pouco conhecida e sem nenhum tratamento eficaz conhecido. Muito evoluímos nestes 20 anos. Neste artigo e nos próximos falaremos mais sobre a Alopecia X (originalmente conhecida como Black Skin Disease), que atualmente incide em aproximadamente 15% dos exemplares da raça Pomerânia (Spitz Alemão)!

HISTÓRIA

 

Nos anos 90, a doença era pouco conhecida e mantida praticamente em absoluto segredo pelos criadores americanos, chamada, na época, de "Black Skin Disease". Inclusive foi em 1990, nos EUA, que a doença foi primeiro descrita em Pomerânias.

 

No ano de 1997, na Exposição Nacional Especializada da Raça, em Charleston,  surgiam rumores de um ou outro cão famoso, inclusive ganhadores das Nacionais anteriores, que já teriam perdido a pelagem. Neste mesmo ano, uma conceituada criadora  publicou um artigo na revista especializada da raça assumindo que o problema estava presente em sua linhagem (assim como na de todas as outras) e que estaria na hora dos criadores se unirem, virem a público e buscarem aumentar o conhecimento e encontrar uma possível cura para a afecção.

Pois bem, apesar da doença ter recebido uma denominação que reflete o ainda incompleto conhecimento sobre sua patologia - Alopecia X - um longo caminho foi percorrido nestas últimas década. Atualmente temos exames diagnósticos, medicamentos e protocolos de tratamento. A American Kennel Club Canine Health Foundation - http://www.akcchf.org - está financiando estudos sobre a possível origem genética da doença, com vários avanços significativos e acredito que exame para detecção do risco genético estará disponível nos próximos anos.

CARACTERÍSTICAS

 

A Alopecia X afeta principalmente cães da raça Spitz Alemão, mas também está presente em outras raças "nórdicas" e "Primitivas", como Huskies Siberianos, Malamutes do Alaska, Chow Chows Samoiedas e Keeshonden e, em menor proporção, em poodles toy e miniatura. 

Os filhotes apresentam pelagem exuberante (pois geralmente não realizam a primeira muda aos 4 meses), e nos exemplares laranjas  mais claros, pode-se perceber, em geral, sub-pelo acinzentado no tronco. Entre 8 meses e 5 anos (em geral no 1o ou 2o ano de vida) os cães afetados apresentam alteração na textura do pelo, que fica lanoso e áspero e começa a apresentar falhas, em geral nas porções caudais dos membros posteriores ("culotes"), se estendendo para a região perineal e podendo atingir toda a região truncal (poupando apenas cabeça e membros). A pele, exposta aos raios UV, adquire coloração escura em muitos exemplares (daí o nome Black Skin Disease) e é caracteristicamente distrófica, apresentando-se muito ressecada. Apesar da semelhança com estádios avançados do Hiperadrenocorticismo, a Alopecia X não apresenta outras manifestações clínicas além da alopecia em si, sendo portanto um problema com consequências dermatológicas e não sistêmicas.

ETIOLOGIA

 

A Alopecia X é uma afecção hereditária. 47 genes - principalmente relacionados ao ciclo do pelo, metabolismo da melatonina e receptores de estrógeno (na pele) - já foram verificados como alterados (mutados) em Pomerânias com Alopecia X.

 

DIAGNÓSTICO

 

O diagnóstico é principalmente clínico, sobretudo em cães da raça Spitz Alemão com idade condizente (8 meses a 5 anos) e sem outras manifestações além da dermatológica. Na nossa prática utilizamos o exame dermatoscópico da pele e a tricoscopia do pelo - estes exames não são invasivos, estão incluídos na consulta e são auxiliares diagnósticos fundamentais! 

É fundamental descartar outros problemas dermatológicos (como Demodex) e hormonais (como o hipotireoidismo, que pode ter manifestações semelhantes), caso haja dúvidas dobre o diagnóstico.

 

 

TRATAMENTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alguns casos, em geral machos mas também muitas fêmeas, são responsivos à castração (aproximadamente 50% responde favoravelmente). Infelizmente o pelame obtido pós-castração nem sempre é permanente.

Nas páginas seguintes vc encontrará informações sobre o TRATAMENTO ORAL PARA ALOPECIA X .

O mais moderno tratamento - e com as maiores chances de sucesso, é o MICROAGULHAMENTO. Vc poderá ler a respeito nos artigos seguintes, iniciando pela página  Microagulhamento.  (link).

 

 

 

EVOLUÇÃO DA ALOPECIA X:

 

 

Fotos antes e depois do tratamento

ALOPECIA – APENAS UM PROBLEMA ESTÉTICO?


Sempre se fala que a Alopecia X é mais que nada um problema apenas estético. Será?
Qdo falamos de dermatoses endócrinas em geral temos quadros complicados, que afetam o organismo como um todo. Isto não acontece com a Alopecia X, em que a única manifestação da doença é a queda progressiva de pelos. Entretanto temos que considerar que a pele e a pelagem dos cães tem diversas funções: proteção, termorregulação, etc..


Quando um cão sofre de Alopecia X o corpo acaba perdendo a proteção natural que a pele oferece. Diferente de nós – primatas pelados – a pele dos cães não evoluiu para ficar exposta. As consequências possíveis são diversas: hiperqueratose (pele sofre um processo de engrossamento), ressecamento e seborreia, infecções oportunistas e, o principal, maior risco de desenvolvimento de câncer de pele (que pode ser tão agressivo e perigoso quanto em humanos). 


Fora os problemas de saúde associados, há um maior estresse térmico devido às variações de temperatura, pois é perdido o isolamento térmico que a pelagem proporciona e a proteção contra o aquecimento solar – assim o animal sofre mais tanto com frio quanto calor.


Cães alopécicos devem, caso os tratamentos não tenham sido bem sucedidos, receber cuidado diário para a pele exposta, o que envolve banhos frequentes, hidratação, proteção solar e uso de roupas, visando a proteção e conforto. Qquer alteração na pele; pintas, feridinhas, machucados que não cicatrizam, coceira, etc., devem ser causas de preocupação e necessitam de avaliação por um Médico Veterinário. 
 

Endocrinologia

Veterinária.com 

M.V. MSc.
Alexandre Bastos Baptista

 

 

  • Facebook Metallic