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Alopecia X

(Queda de pelo patológica, hereditária e genética, que afeta principalmente a raça Spitz Alemão/Lulu da Pomerânia)

 

Afinal o que é, qual a evolução, causas e o tratamento desta alopecia que afeta primariamente a raça Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia), mas também outras raças nórdicas - Samoieda, Chow Chow, Husky Siberiano, Malamute do Alasca - e Poodles

 

Importei o cão a direita dos EUA, já Campeão Americano. Em campanha bem sucedida no Brasil, e uma ninhada nascida, a pelagem do corpo começou a cair, até que todo o tronco ficou absolutamente alopécico, pele hiperpigmentada e atrófica, mantendo a pelagem apenas nas patas e cabeça. O ano era 1997 e foi o meu primeiro contato com a Alopecia X - na época pouco conhecida e sem nenhum tratamento eficaz conhecido. Muito evoluímos nestes 30 anos - atualmente nós conseguimos reverter a perda de pelo em 85% dos Pacientes.

Neste artigo e nos próximos falaremos mais sobre a Alopecia X (originalmente conhecida como Black Skin Disease), que atualmente incide em aproximadamente 15% dos exemplares da raça Pomerânia (Spitz Alemão)!

Alopecia X
Alopecia X

CARACTERÍSTICAS

 

A Alopecia X afeta principalmente cães da raça Spitz Alemão, mas também está presente em outras raças "nórdicas", como Huskies Siberianos, Malamutes do Alaska, Chow Chows Samoiedas e Keeshonden e, em menor proporção, em poodles toy e miniatura. 

Os filhotes apresentam pelagem exuberante (pois geralmente não realizam a primeira muda aos 4 meses), e nos exemplares laranjas  mais claros, pode-se perceber, em geral, sub-pelo acinzentado no tronco. Entre 8 meses e 5 anos (em geral no 1o ou 2o ano de vida) os cães afetados apresentam alteração na textura do pelo, que fica lanoso e áspero e começa a apresentar falhas, em geral nas porções caudais dos membros posteriores ("culotes"), se estendendo para a região perineal e podendo atingir toda a região truncal (poupando apenas cabeça e membros). A pele, exposta aos raios UV, adquire coloração escura em muitos exemplares (daí o nome Black Skin Disease) e é caracteristicamente distrófica, apresentando-se muito ressecada. Apesar da semelhança com estádios avançados do Hipercortisolismo, a Alopecia X não apresenta outras manifestações clínicas além da alopecia em si, sendo portanto um problema com consequências dermatológicas e não sistêmicas.

ETIOLOGIA

 

A Alopecia X é uma afecção hereditária. 47 genes - principalmente relacionados ao ciclo do pelo, metabolismo da melatonina e receptores de estrógeno (na pele) - já foram verificados como alterados (mutados) em Pomerânias com Alopecia X.

 

DIAGNÓSTICO

 

O diagnóstico é principalmente clínico, sobretudo em cães da raça Spitz Alemão com idade condizente (8 meses a 5 anos) e sem outras manifestações além da dermatológica. Na nossa prática utilizamos o exame dermatoscópico da pele e a tricoscopia do pelo - estes exames não são invasivos, estão incluídos na consulta e são auxiliares diagnósticos fundamentais! 

É fundamental descartar outros problemas dermatológicos (como Demodex) e hormonais (como o hipotireoidismo, o hipercortisolismo e o hiperestrogenismo, que pode ter manifestações semelhantes), caso haja dúvidas dobre o diagnóstico.

 

 

TRATAMENTO

Temos vários tratamentos possíveis. Desenvolvemos protocolos tópicos, orais, nutricionais, muitas vezes combinados, que nos dão as maiores chances de sucesso! Atualmente conseguimos o recrescimento piloso em cerca de 85% dos Pacientes.

Nas páginas seguintes vc encontrará informações sobre o TRATAMENTO ORAL PARA ALOPECIA X .

O mais moderno tratamento - e com as maiores chances de sucesso, é o MICROAGULHAMENTO. Vc poderá ler a respeito nos artigos seguintes, iniciando pela página  Microagulhamento.  (link).

 

 

 

 

 

EVOLUÇÃO DA ALOPECIA X:

 

Alopecia X

ALOPECIA – APENAS UM PROBLEMA ESTÉTICO?


Sempre se fala que a Alopecia X é mais que nada um problema apenas estético. Será?
Qdo falamos de dermatoses endócrinas em geral temos quadros complicados, que afetam o organismo como um todo. Isto não acontece com a Alopecia X, em que a única manifestação da doença é a queda progressiva de pelos. Entretanto temos que considerar que a pele e a pelagem dos cães tem diversas funções: proteção, termorregulação, etc..


Quando um cão sofre de Alopecia X o corpo acaba perdendo a proteção natural que a pele oferece. Diferente de nós – primatas pelados – a pele dos cães não evoluiu para ficar exposta. As consequências possíveis são diversas: hiperqueratose (pele sofre um processo de engrossamento), ressecamento e seborreia, infecções oportunistas e, o principal, maior risco de desenvolvimento de câncer de pele (que pode ser tão agressivo e perigoso quanto em humanos). 


Fora os problemas de saúde associados, há um maior estresse térmico devido às variações de temperatura, pois é perdido o isolamento térmico que a pelagem proporciona e a proteção contra o aquecimento solar – assim o animal sofre mais tanto com frio quanto calor.


Cães alopécicos devem, caso os tratamentos não tenham sido bem sucedidos, receber cuidado diário para a pele exposta, o que envolve banhos frequentes, hidratação, proteção solar e uso de roupas, visando a proteção e conforto. Qquer alteração na pele; pintas, feridinhas, machucados que não cicatrizam, coceira, etc., devem ser causas de preocupação e necessitam de avaliação por um Médico Veterinário. 
 

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