DERMATOSES ENDÓCRINAS EM CÃES

COMO DIFERENCIAR?

 As principais alterações dermatológicas de origem endócrina são devidas ao Hiperadrenocorticismo, Hipotireoidismo, Dermatoses Relacionadas aos Hormônios Sexuais e a Alopecia X

 

O diagnóstico nem sempre é fácil, devido às grandes semelhanças entre as manifestações dermatológicas de diferentes endocrinopatias. 

 

Neste artigo iremos explorar de forma geral as principais características destas afecções.

 

 

DERMATOSES DE FUNDO ENDÓCRINO

 

M.V. Alexandre Bastos Baptista, agosto 2013

 

 

Para realizarmos o diagnóstico correto da endocrinopatia subjacente ao problema dermatológico, devemos avaliar o paciente buscando outras alterações, além da pele, que possam nos indicar qual a causa-base. Vamos tratar a seguir de cada endocrinopatia com alterações dermatológicas individualmente:

 

HIPERADRENOCORTICISMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Hiperadrenocorticismo em cães apresenta, além das alterações dermatológicas, outros sinais específicos e sistêmicos. Devemos sempre levar em conta os dados do cão, pois esta é uma endocrinopatia que afeta geralmente animais idosos, com uma média etária em torno de 9 anos. É mais frequente nas raças Poodle, Teckel e Yorkshire Terrier, mas pode ocorrer em todas as raças ou em cães sem raça definida.

O Hiperadrenocorticismo Iatrogênico (causado por medicamentos) é uma condição relativamente comum, causada pelo uso crônico ou por tempo prolongado de corticoides, inclusive tópicos (pomadas e medicamentos para otite). As manifestações são semelhantes ao Hiperadrenocorticismo primário.

 

  • HIPERADRENOCORTICISMO - PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:

    • poliúria (excesso na quantidade de urina);

    • polidipsia (sede em excesso);

    • polifagia (fome exagerada)

    • fraqueza muscular (o cão afetado perde a capacidade de subir/descer de lugares, perde a agilidade e, em casos avançados, a doença pode levar à impotência funcional dos membros)

    • dispneia (o cão fica ofegante, mesmo quando em clima frio)

    • baixa imunidade (o cão apresenta infecções urinárias recidivantes e também infecções na pele)

 

 

  • HIPERADRENOCORTICISMO: PRINCIPAIS ALTERAÇÕES LABORATORIAIS:

    • aumento expressivo da Fosfatase Alcalina

    • hemoconcentração (a quantidade de glóbulos vermelhos fica próxima ou maior que o limite superior da referência)

    • trombocitose (aumento das plaquetas)

    • urina diluída

 

  • HIPERADRENOCORTICISMO: PRINCIPAIS ALTERAÇÕES CUTÂNEAS:​

    • alopecia/hipotricose

    • pelame seco

    • hiperpigmentação cutânea

    • atrofia cutânea (pele fica muito fina, principalmente do abdômen, apresentando aspecto de pergaminho)

    • teleangiectasia (vasos visíveis, principalmente no abdômen)

    • deficiência na cicatrização

    • calcinose cutânea (placas de calcificação sob a pele ou mesmo sobre esta, podendo ocorrer ulceração)

    • piodermite recidivante

 

 

HIPOTIREOIDISMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No Hipotireoidismo, o cão afetado é relativamente jovem (média etária entre 4 a 6 anos) e apresenta manifestações clínicas decorrentes da baixa geral do metabolismo. Deve-se sempre ter cuidado no diagnóstico do Hipotireoidismo canino, visto que diversas doenças, sistêmicas e dermatológicas, podem levar à supressão da função tireoidiana (o que torna o Hipotireoidismo a endocrinopatia mais erroneamente diagnosticada no cão).

O cão hipotireoideo apresenta-se letárgico, desanimado, pouco responsivo ao ambiente, engordando sem no entanto apresentar aumento da fome. Pastores de Shetland e Labradores parecem mais predispostos que outras raças, entretanto pode ocorrer em cães de qualquer raça ou sem raça definida. O cão hipotireoideo, quando inicia o tratamento de reposição hormonal com a Levotiroxina Sódica, apresenta uma melhora marcante, principalmente comportamental, desde o início do tratamento.

 

  • HIPOTIREOIDISMO: PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:

    • letargia

    • fraqueza muscular

    • termofilia (busca fontes de calor, pois sente muito frio)

    • depressão

    • ganho de peso (sem aumento excessivo da fome)

    • redução da frequência cardíaca

 

  • HIPOTIREOIDISMO: PRINCIPAIS ALTERAÇÕES LABORATORIAIS:

    • anemia (não regenerativa)

    • hiperlipidemia

 

  • HIPOTIREOIDISMO: PRINCIPAIS ALTERAÇÕES DERMATOLÓGICAS:

pelame seco

seborreia seca (“caspa”) ou oleosa

discromia do pelame (manchas na pelagem)

otite e piodermites

alopecia na cauda: “cauda de rato”

alopecia nos flancos, plano nasal e pescoço (devido ao atrito com coleiras)

ausência de repilação pós-tosa

alopecia simétrica bilateral

predominância do manto lanoso (sub-pêlo)

 

DERMATOSES ORIUNDAS DE ALTERAÇÕES NOS HORMÔNIOS SEXUAIS

 

Os hormônios sexuais são produzidos primariamente pelas gônadas e pelo córtex adrenal. As dermatoses devidas a alterações nos hormônios sexuais são incomuns em cães e ocorrem devido a hiperprodução dos hormônios sexuais. Basicamente, podemos ter:

 

- HIPERESTROGENISMO (aumento dos níveis de estrógeno)

O Hiperestrogenismo em cães está relacionado com ovários císticos, tumores das células da granulosa, tumores testiculares e suplementação com estrógeno. Nos exames laboratoriais de rotina pode-se perceber anemia.

O estrógeno é um inibidor do início da fase de anágeno (crescimento piloso). Seu excesso causa alopecia simétrica bilateral (poupando a cabeça e extremidades), podendo estar associada a presença de comedos e seborreia seca ou oleosa. A hiperpigmentação pode estar presente de forma difusa nas áreas alopécicas ou em lesões maculares abdominais (manchas escuras).

Nos machos uma manifestação bastante sugestiva de hiperestrogenismo é a dermatose linear prepucial (linha estreita de eritema, hiperpigmentação e descamação que se estende do prepúcio em direção ao escroto).

Nas fêmeas, as mamas e a vulva podem estar aumentadas (semelhante a quando no cio) e cio persistente ou irregular também pode estar presente.

 

- HIPERANDROGENISMO (aumento da testosterona)

Esta condição é rara em cães e pouco documentada. Em geral ocorre devido a tumores testiculares ou adrenais no macho não castrado.

Em geral está associado com hiperplasia das glândulas sebáceas da região perianal, resultando em um círculo em forma de “Donut” em torno do ânus. Raramente está associado com alopecia.

 

 

 

ALOPECIA X

 

 

 

A Alopecia X é tratada detalhadamente em sua página

Endocrinologia

Veterinária.com 

M.V. MSc.
Alexandre Bastos Baptista

 

 

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