COLAPSO DE TRAQUEIA X ESPIRRO REVERSO EM CÃES

Ambas as condições são bastante comuns em raças pequenas, mas vejo que muitos Tutores e mesmo Colegas têm dúvidas sobre como diferenciar  o Espirro Reverso e o Colapso Traqueal.

 

Apesar de manifestações semelhantes, o Espirro Reverso é uma reação fisiológica que geralmente não requer nenhuma intervenção médica. Já o Colapso  de Traqueia é uma patologia que muitas vezes requer maior atenção e demanda tratamento.

O espirro reverso consiste na inspiração rápida forçada de grande quantidade de ar por via nasal, produzindo um “ronco” alto e característico – durante os episódios, que podem ser curtos ou durar até mais de 1 minuto, o cão geralmente fica em pé ou sentado, cotovelos abertos, estica a cabeça e pescoço horizontalmente ou mesmo verticalmente, os olhos ficam saltados e o abdomen contrai e relaxa como antes de vomitar. O SOM OCORRE NA ENTRADA DO AR. Basicamente o espirro reverso tem a função semelhante ao espirro – desobstruir ou eliminar qualquer elemento irritante das vias aéreas superiores, geralmente da região nasofaringea. Estes irritantes podem ser variados, como poeira, pólen, perfumes, etc., e alguns animais podem apresentar espirros a partir de excitação , ao beber água, etc.,  ou mesmo sem razão aparente. Caso os episódios sejam muito frequentes e sem causa identificável, é importante consultar seu Médico Veterinário para verificar se não há a presença de corpo estranho ou alteração na conformação da nasofaringe que possa estar causando o problema.

O Colapso de Traqueia é uma doença crônica e progressiva, geralmente congênita, mas que também pode se desenvolver secundariamente a outras doenças.

Basicamente o Colapso de Traqueia envolve uma alteração anatômica da traqueia. Esta é formada por uma série de anéis cartilaginosos  (a traqueia se assemelha a um cano de aspirador), em forma da letra C voltada para cima, com uma membrana acima que completa o círculo. No Colapso de Traqueia os anéis cartilaginosos perdem o formato de C, sendo mais semelhantes ao formato da letra U, levando ao estiramento da membrana dorsal e sua eventual inversão, obstruindo a entrada do ar. Nas crises, o cão tosse como se estivesse engasgado e tentasse expulsar algo e, ao final dos episódios, pode parecer  realmente que o cão expectora e/ou engole algo. O SOM OCORRE NA SAÍDA DO AR  (nos casos de colapso traqueal cervical, o mais frequente). Não há posição corporal específica como no Espirro Reverso, podendo o cão tossir inclusive deitado e andando. Quanto mais frequentes as crises maiores as chances de inflamação e piora do quadro (quando anti-inflamatórios esteroidais são geralmente necessários) . Esta é uma condição que responde ao tratamento medicamentoso a longo prazo em 70% dos casos – este tratamento visa o fortalecimento das cartilagens e redução da frequência e intensidade das crises. Casos severos podem necessitar cirurgia – mas esta requer cirurgiões habilitados e são sujeitas a grandes complicações, só sendo indicadas em casos extremos.

Há outras condições que podem levar a quadros semelhantes (como algumas infecções respiratórias, cardiopatias, etc.). O ideal é tentar filmar o cão durante os episódios e consultar o Médico Veterinário. O diagnóstico do colapso de traqueia pode eventualmente ser feito pelo Rx (mas nem sempre, pois depende de sua ocorrência no momento da aquisição da imagem). A traqueoscopia é o exame mais indicado, podendo diagnosticar o problema e avaliar o grau de colapso.

​Médico Veterinário Alexandre Bastos Baptista

Abaixo Vídeos de traqueoscopia do Colapso, cão com Colapso de Traqueia e cão apresentando Espirros Reversos:

Endocrinologia

Veterinária.com 

M.V. MSc.
Alexandre Bastos Baptista

 

 

  • Facebook Metallic